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Conheça o 'sertanejo jurídico' e a advogada que inspirou o hit 'Liberdade provisória'

Publicada em 16/03/20 as 14:17h por G1 / Sucesso FM


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 (Foto: Divulgação)
Música de Henrique & Juliano está há 3 meses em 1º lugar no Brasil e segue onda de letras sertanejas sobre o mundo das leis. Podcast conta história da composição e analisa hits.


Mandados de prisão, operações policiais, contratos de união, divisão de bens, abandono de incapaz, legítima defesa: podia ser assunto de tribunal, mas são temas de vários sucessos sertanejos atuais.
O "sertanejo jurídico" já tem até um hit supremo. "Liberdade provisória", cantada por Henrique e Juliano, está há três meses em primeiro lugar nas paradas de streaming do Brasil.

O refrão compara as idas e vindas de um casal a um regime de liberdade provisória. Com essa história, chegou ao 1º lugar no Spotify no Brasil em 13 de dezembro. Teve ligeira queda no carnaval, mas logo voltou ao topo.
O podcast G1 Ouviu (ouça acima) descobriu a musa judicial de "Liberdade provisória": a advogada Thays Brom, namorada do compositor Henrique Casttro.
Ele ouviu Thays falando o termo jurídico e resolveu escrever um sertanejo a partir dele. Mas o processo de autoria foi conturbado: levou mais de um ano e teve uma primeira versão rejeitada.


"Liberdade provisória" ainda foi alvo de um drama contratual. Até a última hora, seria gravada pelo outro coautor, Elvis Elan. Dias antes de Henrique & Juliano gravarem um DVD, Elvis foi convencido a assinar o contrato de exclusividade para a dupla.

Assim o hit entrou no rol do "sertanejo jurídico", que também tem "Regime fechado" (Simone e Simaria), "Contrato" (Jorge e Mateus), "Seu polícia" (Zé Neto e Cristiano), "Abandono de incapaz" (Marília Mendonça) e outras.
O fenômeno dos versos legalistas foi notado nas redes sociais desde antes de "Liberdade provisória". Mas o comentário que mais viralizou foi feito no Twitter no fim de 2019, já depois de a música sair.

Dois Henriques filhos do Tocantins

"Liberdade provisória" foi consagrada na voz de Henrique e Juliano, dupla que saiu do Tocantins e estourou pelo Brasil. Mas ela surgiu de outro cantor e compositor tocantinense chamado Henrique.
Henrique Casttro tem 27 anos, nasceu em Pedro Afonso (TO), mas mora na capital da música sertaneja brasileira. "Cheguei em Goiânia 10 anos atrás com um violão, R$ 30 no bolso e um sonho de viver de música", ele diz ao G1.

"Quando cheguei , nem sabia que era possível passar uma música para um artista. Eu achava que cada cantor fazia sua própria música. Era muito inocente."
Ele foi se virando e fazendo amigos, como a dupla do xará conterrâneo Henrique e Juliano. Também conheceu um parceiro de composições, o baiano Elvis Elan. Assim, virou compositor requisitado.
Henrique assinou músicas como "Propaganda", de Jorge & Mateus, "Na cama que eu paguei", de Zé Neto & Cristiano e "Aham", de Lucas Lucco.

Papo legal

"Liberdade Provisória" foi feita durante uma fase difícil no namoro (com um "pézinho na bad", conta Henrique). Mas hoje a relação com Thays Brom, de 26 anos, tem menos drama que a letra do hit.
Em março de 2017, ela ainda era estagiária de um escritório e estava estudando para a prova da OAB. De longe, Henrique ouviu Thays falando sobre uma petição.
"Eu só ouvi 'liberdade provisória' no meio da conversa dela. E eu tava 'na lua' né? E aí a gente pensa 'n' coisas", ele explica. Nessa viagem, ele pensou que dava um bom título de música.

'O que eu vou fazer com essa tal liberdade provisória?'

O título estava definido. Junto com Elvis, ele tentou pela primeira vez fazer "Liberdade provisória". Mas não foi fácil. Eles terminaram e até levaram a composição para uma audição com músicos de Goiânia, mas ninguém se interessou.

A primeira versão era completamente diferente do futuro hit (no podcast, Henrique lembra um trecho da canção esquecida). Naquela letra, "liberdade provisória" era uma trégua para o pensamento de um cara que não consegue esquecer uma mulher. Era "nada a ver", admite Henrique.
Durante outro encontro com Elvis para compor, já em 2018, Henrique se lembrou da ideia e resolveu insistir no título. Dessa vez, a “Liberdade provisória” falava sobre o namoro instável. Aí sim, deu certo.

Altos e baixos

A letra deixa em aberto se o casal voltou ou não. Na vida real, está tudo ótimo. Thays ajudou de várias formas o moleque com R$ 30 no bolso a virar compositor requisitado no pop brasileiro.

Ela chegou a pagar o aluguel do Henrique em épocas mais duras do começo do namoro. A namorada até deu orientação jurídica para ele se livrar de "contratos ferrados e empresários oportunistas", ele diz.
"Nunca duvidei de mim, sempre achei que ia ser o número um como compositor e como artista. Só que tem dias que você amanhece para dominar o mundo e outros em que você fica para baixo. E era nesses dias que ela foi fundamental na minha vida". diz Henrique.

Musa da 'Liberdade' e da 'Propaganda'

Como se não bastasse "Liberdade provisória", Thays ainda inspirou o hit "Propaganda". A música conta a história de um homem que faz propaganda negativa da namorada para que ela não atraia a atenção de outros. "Eu odiei a música", ela diz. Thays ri do próprio comentário, mas repete: "Muito ódio".

"Uma vez ela roncou e eu falei 'opa, isso não tava no contrato'. Aí eu falei: vou fazer uma música falando da mulher que ronca e vai estourar no Brasil inteiro. E não falei nada para ela. Quando o Jorge Mateus gravou, e colocou a música no DVD ela ficou louca", diz Henrique, também aos risos.





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