

O início de junho marca a entrada em uma fase decisiva para o agronegócio brasileiro, com o segundo semestre começando sob alerta para mudanças importantes no padrão de chuva e temperatura em diversas regiões produtoras do país. A influência do fenômeno El Niño deve ganhar força ao longo dos próximos meses, trazendo mudanças importantes no comportamento das chuvas, aumento do calor e impactos diretos sobre lavouras, pecuária, reservatórios e manejo no campo.
Para entender como o clima deve se comportar nas próximas semanas e quais serão os principais impactos no campo, o Notícias Agrícolas ouviu a meteorologista Estael Sias, que traçou um panorama da região sul e alertou para os efeitos cada vez mais evidentes do fenômeno El Niño. Segundo a meteorologista Estael Sias, o padrão climático já começou a mudar em maio e deve ficar ainda mais evidente durante o inverno e a primavera de 2026.
“É um cenário que exige acompanhamento constante, porque teremos regiões com chuva abaixo da média, períodos prolongados de calor e aumento da evapotranspiração, o que reduz a disponibilidade de água para as lavouras”, afirma.
Sul terá menos geada em junho, mas umidade e chuva aumentam
Após um mês de maio marcado por sucessivas ondas de frio, geadas e temperaturas negativas em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, junho começa com um cenário diferente no Sul do Brasil.
Segundo Estael, o risco de geada diminui bastante na primeira metade do mês e o padrão atmosférico passa a favorecer mais umidade, nebulosidade e períodos de chuva.
“O mês de junho, principalmente até por volta do dia 15, terá risco muito pequeno de geada. Junho já começa diferente nesse aspecto e será um mês marcado pela umidade”, explicou.
Nos primeiros dias do mês, a tendência é de muitas nuvens, nevoeiro e alta umidade relativa do ar, o que pode impactar atividades de logística e escoamento da produção.
“A primeira metade de junho terá muitos períodos de umidade e serração. Quem pega estrada vai enfrentar bastante nebulosidade”, afirmou.
Apesar da umidade elevada, os acumulados de chuva não devem ser tão expressivos neste começo de junho. A tendência de aumento mais consistente das precipitações aparece na segunda metade do mês.
“A chuva deve ganhar força na segunda metade de junho, junto com uma maior oscilação das temperaturas”, destacou.
Segundo a meteorologista, o Sul deve sentir os efeitos mais claros do El Niño a partir de julho e agosto, principalmente com chuva acima da média e aumento no risco de temporais.
“O El Niño reforça a característica do Sul do Brasil de ter mais tempestades, eventos extremos, chuva volumosa em curto período de tempo, raios, vento e granizo”, alertou.